terça-feira, 31 de maio de 2011

Como nós somos

No Facebook, um senhor inteligente lançou uma questão pertinente. Queixava-se ele de que, observando os condutores, no seu caminho casa-trabalho, em poucos minutos tinha observado 5 pessoas a conduzir e a falar ao telefone (ODEIO, é das coisas que menos suporto nas pessoas!).

Ao falar com uma amiga, apeteceu-me apertá-la com mimo entre os braços, retirando-lhe parte da dor de ter assumido uma relação com um gajo egocêntrico, mentiroso, que geriu o andamento da coisa à medida dos seus interesses e caprichos. 

O que uma coisa tem a ver com a outra? TUDO. 

Ambas situações encaixam na minha ideia de que, fundamentalmente, somos (ou nos fomos transformando) uma sociedade altamente egoísta. Centrá-mo-nos no "Eu" e perdemos a noção do "Nós". Somos seres individualistas mesmo quando vivemos em comunidade ou estamos em família. 

Daí a falta de respeito pelo outro. 

Eu quero / preciso falar ao telefone enquanto conduzo, não me interessa o perigo dos outros e a lei comum a todos. Quando estamos numa relação, o "eu" tende a querer sobrepor-se e as não cedências ou o empenho (necessário) que dá trabalho, leva às separaçoes porque cada uma das partes "puxa para o seu lado" e não lhe apetece a trabalheira de ter objectivos comuns. Daí, também, o modo como lixamos e somos lixados no local de trabalho; ou as disputas tontas com tios,  irmãos ou  primos; ou a falta de civismo para quem é vizinho, ou partilha a mesma praia, etc. Primeiro está o "eu". 

Como filha única (com uma irmã à distância, tema que não interessa para agora), a fama de egoísta já a tenho e, algumas vezes, dou-lhe uso. Mas há uma diferença entre a auto-protecção do egoismo e o modus operandi da egotrip

Ilustrando com um exemplo concreto, que me delicia pela perversidade incoerente da coisa. No sitio onde eu vivo há uma tendência para que parte dos moradores achem que isto é o Melrose Place mas sem a piscina. São festas nas casas dos vizinhos, são confraternizações nocturnas aproveitando o clima quente, são encontros espontâneos pós-praia com pizzas mandadas vir, são jantares de convivio, são romances de cama, são beer mobs. Até parece que vai haver festa de Santos Populares (menos, tão menos!). 

Catita, não é? Porém, depois temos música em altos berros às 8 da manhã; berbequins pela noite dentro; cinza e beatas atiradas pelas janelas sem sequer olhar para quem pode eventualmente estar a passar; elevadores imundos depois de uma festa; condução contra-mão na garagem "na maior"; nem um "bom dia" ou "boa tarde" quando se entra ou se sai do elevador: num lugar de estacionamento está um carro, uma bicicleta, uma mota, calhando uma carroça, ocupando espaço indevido; se não se tivesse fechado o acesso pedonal os carros andariam por todo o lado, à velocidade que entendessem e estacionados quase à porta de casa ... perceberam o género? 

Civismo, nulo. Consideração pela colectividade, nula. Mas só gente porreira! Que existe, claro. Não obstante, há muitas reais bestas que partilham o mesmo espaço com um grande numero de pessoas. E, indicador neste micro-cosmo, de que raros são os que pensam "gostava que me fizessem isto?"

Pense nisso da próxima vez que estacionar em 2ª ou 3ª fila para ir ao supermercado ou à farmácia; ou que atirar lixo para o chão; que decidir mudar a mobilia na casa inteira às 10 da noite; que atraiçoar o/a seu/sua companheiro/a numa saida à noite, pelos copos e pelo "poder" de o fazer; ou que fugir aos impostos. 

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