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Do encarnado guloso



Todos os dias a via chegar. Como se não existisse ninguém mais em redor. Ele já inventava mil desculpas para si próprio para chegar mais cedo ao café, ter sempre livre uma mesa que lhe permitisse vê-la entrar, dirigir-se sem hesitação ao lugar do costume e esperar que a servissem, sempre o mesmo, e ela com um sorriso discreto. 

Lia ora um livro ora um jornal que comprava na banca em frente, de onde trazia pastilhas. De canela. Imaginava um cheiro só dela que se cruzava com o aroma de canela. Pensava-a como uma mulher com um nome fora do comum, tal como os olhos rasgados de um castanho tão escuro que pareciam veludo quente. Com uma voz tão rouca como contidos e imperiosos eram os seus gestos. Com palavras certeiras à medida do quão criminoso era o seu andar e o rebelde balouçar do seu decote. 

Mas era aquele batom encarnado forte, destemido, guloso, cheio de afirmações, que mais o atraía todas manhãs. Perdia-se naquele encarnado e tudo o resto se dissipava.

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