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Da tormenta dos anos





"Onde vais?" Não se vislumbrava claridade e ela já vestia a camisa, depois o blusão, sem som, numa ponta da cama mal iluminada pelo candeeiro da rua. -"Não é para ficar." Tocou-lhe ao de leve na mão, impedindo-o que a agarrasse. "Falamos depois." 


Puxou-a sem a deixar erguer-se com uma força que nascia mais da pancada da partida inesperada do que do orgulho ferido. Porque partia ela? Acossado por um panico súbito agarrou-se à ideia que reencontrá-la fora um sinal. 

Enfrentou-o com nudez rude de olhos cansados, impenetráveis, sem vacilar. Magoava-o, de modo consciente, gélido. Sem arrependimento, sem remorsos, sem questionar. 

Esperara tempo demais, quisera-o demais, tinha-lhe sentido demais a falta mesmo quando ele a desconhecia propositadamente. Agora não o conseguia ter sem dor, sem brasa acesa pelo tormento dos anos. " Falamos um dia destes." 

Nem todas as histórias de amor se escrevem a direito. Nem se submetem à mais arriscada das emoções. Nem todos se deixam conquistar depois de sofridos.

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gaja à beira da loucura

Isto pode paracer a demência absoluta mas já estou por tudo. A Alexandra Solnado (isso mesmo, este post vai por esse caminho...) dizia numa entrevista, há umas semanas, ao promover o seu mais recente "livro" que a maioria das pessoas que lhe aparecem para consultas, são pessoas doentes - jura?!
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Ora, e dando o beneficio da duvida a esta teoria (pois que temos a perder?), gosta…

Inesperadamente, a semana passada

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