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Da pele martirizada



E depois, como ficamos? Sem espaço para reconstrução, demolidos pelo peso do vazio? 

Incapazes de nos dar mais uma oportunidade de fazer entrar para o corredor das nossas venturas outro abraço quente, outro toque subtil no cabelo? 

Consumidos pelo receio, pela mágoa das histórias que nos vão ficando na pele martirizada como códigos de barras? 

Entregues à suave quietude dos dias, encostados à tranquilidade dos que gostam de nós e nos oferecem guarida incondicional? 

E trocamos a protecção e a zona segura da dor pela adrenalina de correr riscos, de voltar a vibrar, de despirmos os sentidos perante alguém que nos faça sentir vivos. E perde-se a trepidante emoção de viver cada dia no arame mas com desejo por aquelas mãos que nos arrepiam, pelo despique da discussão, pela gloriosa felicidade de partilhar um golo do Benfica.

E depois, é assim que queremos viver?

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Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência. O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas. 
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