Da noite fizemos um gemido. Contido, tímido, ofegante, arrebatado, violento. Do calor que invadia a casa, fizemos castigo, energia para os corpos que deslizavam lentamente. Dos meus cabelos, fizeste fios que apenas te tocavam, enredados em dedos ágeis, mãos sapientes que não paravam, tão leves e sôfregas, em simultâneo, que ora entorpeciam ora incendiavam. Do teu sorriso de sacana sem lei, fiz a minha almofada, o meu assumido pecado, a minha impossível penitência, sem perdão concebível em cada cedência. Da musica que se ouvia fizemos o embalo suficiente para que fosse dolente, mas cru; apaziguador ainda que voraz; tranquilo e explosivo. De nós, somente, fizemos diferente.
I nverno em Madrid, C. J. Sansom 1940. Madrid encontra-se em ruínas, a fome e a miséria imperam, e uma turba de espiões das grandes potências mundiais invade a cidade, enquanto Franco pondera juntar-se a Hitler na Segunda Guerra Mundial. É nesse mundo de incertezas que desembarca Harry Brett, um ex-soldado recrutado pelos serviços secretos britânicos. A sua missão é descobrir se os negócios obscuros de um antigo companheiro de escola, Sandy Forsyth, envolvem uma reserva de ouro que fortalecerá o governo de Franco. Entretanto, Barbara Clare, antiga enfermeira da Cruz Vermelha e namorada de Sandy, também se propõe a uma missão secreta: encontrar o ex-amante, Bernier Piper, amigo de Harry e comunista voluntário das Brigadas Internacionais desaparecido nos campos sangrentos da Batalha do Jarama. Quatro vidas cruzadas num jogo perigoso de amor e morte, os segredos e subterfúgios da Espanha de Franco, um romance que nos fala sobre a dificuldade de fazer escolhas nu...

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