Vivemos acossados.
O desejo rompe-nos a carne. Sulca-nos com heresia e pressa.
E devoramos as nossas penas, as nossas vontades, as nossas feridas no imediato embate violento com outra pele que nos inebria. Impulsividade que irrompe qual música em crescendo e que nos sacia até a pulsação desacelerar.
É um fino lençol de ouro algodão com o qual cobrimos um corpo nu, desprotegido, tantas vezes carente sem o saber, que exige, em silencio, mais, tão mais.
Pede dádiva real, entrega absoluta; pede que nos atravessem o corpo dedos experientes em fazer sentir e desabridamente retribuir. Que o que nos aqueça o sono não seja apenas um corpo suado de êxtase mas a confiança tranquila e o confortável silencio de se ser o infinito de alguém.

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