Avançar para o conteúdo principal

Os homens são uma embalagem







Os homens são uma embalagem
maio 30, 2017


Uma linda peça de louça Vista Alegre que apetece ter em casa. De valor. Mas em algum momento, por sorte rápido, o efeito máquina de lavar dá-se. O prato está cheio de rachas. Tem pouco brilho. É defeituoso, p'loamordossantinhos. Assim são eles.
Aparentemente seguros, decididos, em controlo da onda, ponderados, com abraço protector, um sorriso meigo, uma narrativa extraordinária. O mito urbano. Não passam disso. Uma fachada. Trazem não só bagagem, mas toda uma autocaravana emocional, assente em fragilidade, imaturidade, falta de discernimento, e medos vários. Trazem esta encomenda toda com promoção 2 em 1 com todas demais vicissitudes da vida (exs, pais, filhos, carreiras, crises de meia idade – ou crises de uma idade qualquer que lhes assente bem) com as quais não têm capacidade alguma de lidar. Sempre em fuga. E arrogam-se a ser Vista Alegre edição limitada. Imprescindíveis ao sexo feminino que lhes cai aos pés que nem tordos incapazes de resistir a tamanho encanto.
Meus caros, cresçam. Já não há tempo nem paciência para aturar adolescentes quando na prática vocês não têm o corpo nem o vigor nem a endurance de um. Podem descobrir o surf, a escalada, e ténis fashion mas esperamos maturidade. Consistência. E, não, não soçobramos perante o que parece mas que afinal não é. Queremos o genuíno.
As demais que não querem ter louça Vista Alegre, não têm vida facilitada. Não pela exigência ou petulância na escolha das peças, mas porque os menus são tão variados que vão de uma aparência de caviar ao pita shoarma. A aparente simplicidade que gabam: “não somos complicados”, “não somos neuróticos”, “isso é coisa de gaja”… invade-nos de uma renovada esperança na humanidade. Será desta? Será verdade. Não é. É mais uma mentira, descarada e com todos os dentes.
Podem ser mais pragmáticos na abordagem sentimental ou até da vida, mas estão todos fodidos da cabeça e do espirito. Mas continuamos a ter fé, a acreditar que é possível…com tempo e paciência conhecer a pessoa certa. Afinal de contas, jogamos no euro milhões todas as semanas com o mesmo empenho, só podemos ganhar!


Texto escrito a duas mãos: Mónica Pinheiro & SofiaCortez (https://omeuserendipity.blogspot.pt/)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Do acosso

Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência.  O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas.  A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado. E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade.  A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.

Os lambe-cus (MEC)

Os Lambe Cus, by Miguel Esteves Cardoso   "Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá- los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alun...

Das pequenas coisas

Talvez sejam as pequenas coisas. Como uma música que se ouve por acaso e se torna uma descoberta que nos marca um trânsito. Como um gelado fora de horas e com o sabor simplesmente certo de caramelo tal qual na nossa infância. Como aquele instante rápido entre fazer-nos à onda e o mar que nos toma por completo, nos restitui a energia e nos devolve ao mundo. Terão que ser as pequenas coisas. A partir delas, tudo se enreda e o equilibro pesa para o complicado. Sinuosos os caminhos para que nos encontremos. Doloroso o andamento que faz que nos afastemos mais do que estejamos próximos mesmo quando tudo aponta para que haja uma cumplicidade e uma ligação súbita mas forte e consistente. O toque é denunciador. Desmantela as forças e faz sucumbir com tamanho ardor. O beijo que transporta silêncio, paz, meta. O abraço que acolhe uma gargalhada e o estranho sentido de que tudo está bem. São estas pequenas coisas. Que são fáceis e leves e perenes. Tão frágeis. Acabam tão depres...